A maior empresa americana de computação, a IBM, comemorou ontem seu 100º aniversário. Um século se passou desde que Charles Flint supervisionou a fusão da empresa Hollerith Tabulating Machine com a Computing Scale of America e a International Recording Company para se tornar a Computing-Tabulating-Recording Company, a marca que conhecemos hoje como IBM.

Afinal, como uma empresa de máquinas de tabulação, um fabricante de fatiadores de carne e balanças de Ohio e um fabricante de relógios de ponto tornaram-se uma das marcas mais respeitadas e lucrativas do mundo na área da computação? Vamos voltar ao passado para descobrir.

A Formação da International Business Machines (IBM)

A IBM tem orgulho de suas raízes. A história de sua formação data de antes de 1911, com três unidades de negócios independentes que se fundem para formar a Computing-Tabulating-Recording Company. A primeira e mais importante ação de Charles Flint, seu primeiro líder, foi a contratação de Thomas Watson (Pai) como gerente geral da empresa em 1914.

Com uma forte liderança e a habilidade de integrar cada uma das empresas para trabalhar como apenas uma, em apenas dez anos, Watson fez a Computing-Tabulating-Recording Company obter uma receita de US$ 11 milhões (13 vezes mais que o montante original de suas vendas anuais), empregou 3.384 funcionários, expandiu para o exterior (Reino Unido, Canadá e Alemanha), tudo isso antes de mudar seu nome para International Business Machines – IBM, como a conhecemos hoje.

Uma ação da IBM em 1915, com ajustes e dividendos, valeria 11.880 ações nos dias de hoje. Se você voltasse no tempo, comprasse 100 ações da IBM naquela época, o seu investimento valeria agora cerca de US$ 200 milhões. Nada mal não.

Líder em Patentes

A inovação em registrar patentes da IBM era evidente antes mesmo da empresa ser formada. Herman Hollerith, inventor da máquina de tabulação homônima, que foi usada para contar os recenseamentos da população americana, registrou sua primeira patente em 1884. Essa patente foi a base para a Tabulating Machine Co., uma das empresas fundadoras da IBM.

As patentes da IBM não são totalmente documentadas, mas a empresa possui um grande número de patentes que poderia ter prejudicado o caminho de algumas das mais conhecidas plataformas de software que conhecemos hoje. Pasmem, mas a IBM detém patentes que poderiam ter impedido o sistema operacional Linux de ser lançado, mas a empresa declarou em 2005, que não iria aplicá-las. Ainda bem.

Em 2006, a IBM trabalhou com o Escritório de Marcas e Patentes dos EUA e com outras empresas, para estabelecer o Peer-to-Patent Project, permitindo que inventores apresentassem provas de invenções através de um site, o que ajudou os examinadores de patentes a avaliar a validade de um pedido.

Comparados à IBM, Apple, Google, HP, Microsoft e Oracle tem uma quantidade ínfima de registros de patentes. Com 5.896 patentes, a IBM supera o portfólio combinado de todas as empresas acima e já marca o 18° ano consecutivo como líder em registro de patentes nos EUA.

Tecnologias da IBM

A IBM tem se mantido na vanguarda das novas tecnologias. Construiu alguns dos primeiros computadores, os primeiros discos rígidos magnéticos, linguagens de computação, o disquete e até criou o código de barras (na verdade tem coisas demais para se fazer uma lista).

Entre os destaques dessas inovações, está o computador pessoal – o padrão PC como o conhecemos – com a introdução do chip da Intel e o Disk Operating System (DOS para os íntimos) em 1981, criado por uma pequena e desconhecida empresa na época, chamada Microsoft. Em 1997, o Deep Blue da IBM se torna o primeiro computador a derrotar um campeão mundial de xadrez, vencendo uma partida de seis jogos contra Garry Kasparov.

14 anos depois, o IBM’s Watson (nome dado em homenagem ao homem que começou tudo) derrotou dois dos maiores campeões de Jeopardy, um show de perguntas e respostas (quiz) americano.

A IBM publicou um vídeo muito bacana, mostrando um pouco desses cem anos de inovação.

 

IBM: Todos São Iguais

A IBM foi uma empresa à frente do seu tempo, especialmente quando se tratava de garantir que seus funcionários fossem tratados igualmente. Em 1953, Thomas J. Watson Jr. publicou uma carta onde havia uma “Política de Direitos Iguais”, um ano antes de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, declarar a inconstitucionalidade de uma lei estadual que separava escolas públicas para brancos e negros (Brown versus Board of Education of Topeka) e 11 anos antes da Lei dos Direitos Civis de 1964. Essa carta afirmava:

“É política desta organização contratar pessoas que tenham a personalidade, o talento e a experiência necessárias para realizar um determinado trabalho, independentemente de raça, cor ou credo.”

Mesmo agora, mais de cinqüenta anos depois, a IBM está motivando os seus colaboradores a “retribuir à comunidade”. Em um memorando interno enviado ao The Next Web, o CEO da IBM, Sam Palmisano, solicita a cada membro da equipe que façam alguma coisa para a comunidade local e o planeta:

“No último dia do primeiro século da IBM, 15 de junho, vamos concentrar a nossa empresa e a atenção do mundo sobre o alcance e o impacto das contribuições IBMers para as nossas comunidades e nosso planeta. Até aquela data, eu incentivo todos os IBMers que façam uma promessa em juntar-se à alguma instituição que esteja tocando um projeto social significativo durante 2011. Estou muito satisfeito em saber que mais de 100.000 IBMers já prometeram dedicar pelo menos oito horas de serviço para esta causa neste ano.

Em 15 de junho, estarei participando com outros voluntários da IBM da minha cidade natal, Baltimore em Maryland, de um trabalho com escolas da cidade para estimular o interesse e as habilidades para a educação científica e tecnológica. Não importa que tipo de trabalho você escolha fazer, estamos confiantes de que ele terá um impacto duradouro – fazendo diferença para as nossas comunidades, desenvolvendo habilidades novas nos IBMers e fortalecendo nossas equipes.”

Para ajudar as equipes de trabalho, a IBM disponibilizou US$ 12 milhões de dólares em doações para apoiar as iniciativas. A partir disso, criaram 100 bolsas de US$ 10.000 (chamadas de Catalyst) e 10 bolsas US$ 100.000 cada (chamadas de Centennial) para as organizações onde os funcionários sejam voluntários.

No Próximo Século

Ao contrário de outras empresas, a IBM diz que nunca vai mudar. A empresa pode ter avançado enormemente desde os dias da fabricação dos relógios de ponto e fatiadores de carne, mas seu espírito pioneiro continua tão forte como era em 1911.

Nos últimos cinco anos, a IBM adaptou a sua cadeia de fornecimento global e os processos funcionais, resultando em US$ 6 bilhões de economia em produtividade. A empresa agora é responsável por dezenas de milhões de acionistas, faz negócios em mais de 170 países e tem investimentos de US$ 58 bilhões somente em pesquisas e projetos.

Isso assegurou que o lucro líquido da empresa atingisse uma alta histórica de US$ 14,8 bilhões, com aumento do lucro bruto de 37% para 46,1%.

Mesmo a empresa continuando a inovar, o foco mudará para os próximos 100 anos da IBM. Sam Palmisano explica tudo em sua declaração final a todos os funcionários:

“Eu agradeço a cada indivíduo. Nos comprometemos em manter a ousadia neste segundo século da IBM para criar uma empresa que nunca pare de olhar para a o futuro.”

A IBM criou um site para celebrar seus 100 anos de inovação. Nele você poderá ler tudo sobre a forma como a empresa foi formada, assistir a vídeos informativos e ver fotos da IBM e seus produtos ao longo do século passado. É realmente impressionante, se você tiver mais um tempinho, vale a pena dar uma olhada.

Via: TNW
Imagens: Arquivo da IBM

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