Apesar da grave crise econômica pela qual o Brasil atravessa, com fechamento de muitas empresas e, consequentemente, elevado número de desempregados, um segmento parece estar imune a todas essas dificuldades: o das empresas conhecidas como startups. Essas empresas têm como característica apresentar respostas inovadoras ao mercado, quase sempre com base tecnológica e ancoradas na internet.

Segundo levantamento feito pela ABStartups (Associação Brasileira de Startups), em 2015 o número de empresas desse formato em desenvolvimento chegava a 4.151, contabilizando crescimento de 18,6% num período de seis meses. Entre os mercados mais explorados pelas startups brasileiras, os aplicativos aparecem no topo da lista, seguido pelo segmento de educação, áreas de mídia, comércio eletrônico e além de entretenimento.

A maioria das empresas, segundo a ABStartups, aposta em oferecer produtos e serviços para outras empresas, no modelo de negócios conhecido como B2B.
Outro estudo, desta vez realizado em escala global pela empresa Compass, considerou São Paulo como a 12ª cidade no Global Startup Ecosystem Ranking 2015 mais favorável para a criação de novos empreendimentos, tornando-a a melhor da América Latina.

Atuação internacional

Graças ao desenvolvimento alcançado no Brasil, algumas startups já apostam na internacionalização dos seus negócios, principalmente na América Latina e Europa. Empresas como a Buscapé, criada em 1999 por um grupo de estudantes, que oferece plataforma de comparação de preços, hoje já atua na Argentina e Chile, enquanto a aplicativo infantil educacional PlayKids, que nasceu no Brasil, está disponível em países de todos os continentes do mundo.

No segmento da mobilidade urbana, podem ser citados a Easy Taxi que já avançou para 12 países da América Latina e o Parpe que está iniciando a jornada por Portugal, a startup atua no mercado com um aplicativo de aluguel de carros de pessoa para pessoa. A empresa, está no mercado há menos de dois anos, e já está levando sua plataforma para Portugal, onde deve iniciar sua operação ainda em setembro deste ano.

Mercado em expansão

Na maioria dos casos o ponto de partida, no movimento de internacionalização de uma empresa, é a procura por um mercado mais promissor e maduro, tornando assim uma nova fonte de faturamento para a empresa.

Segundo Lucio Gomes, diretor do Parpe, isso não foi diferente na estratégia de internacionalização da empresa de compartilhamento de carros. O principal motivo que levou a sua empresa a realizar um investimento significativo e expandir suas atividades para o exterior, como Portugal, está na busca de um mercado com taxas de crescimento maior e assim uma oportunidade maior de receita. “Hoje contamos com a melhor plataforma de aluguel de carros entre pessoas, disponível através de aplicativo para o celular, assim como na versão para web, e nosso objetivo é colocar a nossa plataforma à disposição em mercados com maior volume”, afirma ele.

Portugal tem hoje um pouco mais de 10 milhões de habitantes, mas o fluxo de turistas representa um expressivo volume de pessoas, que pode se voltar para o compartilhamento de automóveis, aproveitando dessa comodidade. Em determinadas épocas do ano, esse número de turistas ultrapassa o número de habitantes locais.

Esse contingente inclui os próprios brasileiros, em viagens de lazer ou negócios a Portugal. “A nossa estratégia inicial é aproveitar o grande volume de turistas que a Europa, e especialmente Portugal, recebe o ano todo”, afirma o Lucio Gomes.

Hugo Giallanza, presidente da Asteps – Associação de Startups e Empreendedores Digitais, ressaltam que no processo de expansão internacional é sempre bom ficar atento a mercados muito saturados e a questões econômicas do pais, como a inflação, do qual pode prejudicar a estratégia de internacionalização da empresa.

Primeiros passos na internacionalização

Atualmente a contribuição das pequenas empresas no valor exportado pelo Brasil está em trono de 1%, segundo estudo do Sebrae elaborado pela Funcex. Porém o Brasil já conta com diversos programas e iniciativas com o objetivo de aproximar empreendedores e startups ao mercado exterior, principalmente para empresas que desejam expandir seus negócios para a América Latina e assim aumentar a sua contribuição no valor exportado.

O programa InovAtiva Brasil é um exemplo de iniciativa que está sendo realizado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior (MDIC) em parceria com o Sebrae e a Apex-Brasil. A iniciativa está selecionando 15 startups para participar de workshops e mentoria com empresas brasileiras que atuam no ecossistema argentino.

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