A crescente adesão das pessoas ao veganismo e ao vegetarianismo abriu oportunidades para o empreendedorismo no Brasil. O país tem cerca de 240 restaurantes com pratos sem ingredientes de origem animal, segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

O empresário Ricardo Campos se tornou vegetariano aos 11 anos e, depois de fazer intercâmbio em Dublin, capital da Irlanda, voltou inspirado e decidido a abrir seu próprio negócio direcionado aos públicos vegano e vegetariano.

No primeiro quadrimestre de 2017, deu início ao seu e-commerce ainda como MEI (Microempreendedor Individual), que tem limite de faturamento anual de até 60 mil. Em menos de um ano, precisou mudar de categoria fiscal, passando para EPP (Empresa de Pequeno Porte) — com previsão de receita anual acima de R$ 360 mil.

“É importante que os veganos comprem dos pequenos empreendedores dessa área justamente para o mercado se fortalecer. Assim, os recursos se concentram nas mãos de quem está lutando pela mesma causa. Os consumidores podem ajudar o nicho a virar mercado, ampliando a produção e refletindo no valor dos produtos”, diz o empresário.

Atualmente, a loja online dele reúne 20 marcas com produtos veganos. Uma delas é a VidaVeg, criada em 2011 pelo administrador Anderson Rodrigues durante seu mestrado em gestão estratégica, marketing e inovação na Universidade Federal de Lavras (UFLA).

“Eu estudava comportamento do consumidor, mais focado em consumo consciente, quando eu tive que escolher um grupo de consumidores conscientes para fazer minha pesquisa de mestrado que geraria minha dissertação. Como eu já atuava em ONGs de proteção animal, resolvi estudar consumidores vegetarianos. Me identifiquei com eles e tentei virar vegetariano na época, porém, ia ao supermercado e não achava nada. Foi quando resolvi montar uma empresa para ajudar a quem quer ser vegetariano em ter opções prontas para consumo”, conta.

Em 2015, junto de um sócio, Rodrigues conseguiu expandir sua operação. Hoje, seus iogurtes, queijos e requeijões veganos são comercializados em mais de 500 pontos de venda, em 24 estados do país. A perspectiva de crescimento para 2018 é de 265%.

“A tendência é de que os veganos escolham pequenas empresas veganas que compartilham de suas crenças, pois mesmo que uma grande empresa tenha produtos veganos, se ela explora animais em outros itens haverá certa resistência dos consumidores”, afirma.

Perspectivas de crescimento

De acordo com o Sebrae, em 2014, as vendas de produtos veganos e vegetarianos haviam crescido 60% em relação ao ano anterior. Apesar de não existirem números atualizados sobre esse mercado, é possível perceber a confiança dos empresários nos últimos anos.

Foi essa convicção que fez com que o empresário Cleverson Zanquetta, CEO da Zanquetta Alimentos Congelados, focasse nos produtos vegetarianos. A empresa nasceu em Curitiba, em 2013, com o objetivo de fazer massas congeladas.

Porém, um ano depois, o empreendedor lançou refeições tradicionais na versão vegetariana — sem leite, ovos, carnes e derivados, prontas para o consumo, como a feijoada, chilli, pizzas congeladas, pão de queijo vegetal e lasanhas.

O sucesso levou a marca a trabalhar exclusivamente com os produtos vegetarianos, que são vendidos hoje em mais de 50 lojas nas regiões sul, sudeste e nordeste. A perspectiva de crescimento para 2018 é de 100%.

“A cada dia o mercado vegano e saudável vem incomodando o mercado “tradicional” com lançamento de novos produtos, ligado com o crescimento e a conscientização da população em consumir esses itens”, diz.

Para Ricardo Campos, da VegaSite (www.vegasite.com.br), o veganismo vai na contramão do capitalismo, pois a maioria dos adeptos levam em consideração a vida animal e o planeta, não apenas a si mesmo. “As grandes empresas que não se preocupam com a exploração animal ainda não perceberam o potencial desse mercado”, afirma.

Apesar de pequenos, esses negócios contam com gente que pensa grande. O objetivo de Campos, por exemplo, é aumentar seu portfólio de produtos veganos, especialmente os secos, para atingir ainda mais pessoas fora de São Paulo.

Uma estimativa feita pela Sociedade Vegetariana Brasileira há cinco anos apontava que o país já tinha cerca de 16 milhões de vegetarianos e 5 milhões de veganos.

GestãoClick Gestão Empresarial


DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here