“Se hoje já temos tecnologia como, por exemplo, a plataforma IBM Watson for Oncology, capaz de aprender em minutos o que um médico levaria pelo menos 5 anos para absorver, o que vai sobrar para nós fazermos?”. Foi o que o empresário, investidor anjo e professor da FGV-RJ, Arthur Igreja, discutiu em sua palestra ao TEDx, gravada nesta semana e que vai ao ar no próximo mês. A plataforma de palestras online reúne pessoas do mundo todo para conversar sobre os mais diversos assuntos.

Um mundo em que a tecnologia progride exponencialmente, avançando sobre o emprego e a ocupação das pessoas, pode parecer assustador. A competição é desigual, já que temos um cérebro limitado em comparação ao das máquinas. Mas segundo Arthur Igreja, é preciso mudar a perspectiva ao debatermos inovação. “A tecnologia vai empoderar as pessoas e abrir possibilidades que não imaginávamos, que vão nos ajudar a conhecer melhor o mundo e a nós mesmos”, diz ele.

Um dos exemplos que Arthur Igreja cita em sua palestra é o exame de DNA que é feito hoje, nos Estados Unidos, pelo correio. O resultado chega para o paciente em casa, um mapa genético que aponta, entre outras coisas, predisposições a doenças. “Nossos avós morreram de problemas que eles não sabiam o que eram. Muitos de nossos pais vão ter doenças diagnosticadas, mas que ainda não são tratáveis. Nós poderemos prever com dez, quinze anos de antecedência as doenças que teremos e buscar tratamentos preventivos para que elas não cheguem a se desenvolver”, conta ele.

Então se a tecnologia pode fazer tantas das atividades humanas, o que sobrará para nós? Segundo Arthur Igreja, talvez as máquinas não estejam invadindo o espaço dos humanos. Mas sim os humanos é que ocuparam por tempo demais o lugar que sempre foi das máquinas. A realização de tarefas monótonas, repetitivas e mecânicas pertence aos robôs, de acordo com o empresário.

Os humanos assumirão as atividades que exigirão mais intelectualmente, o que vai provocar uma mudança profunda na maneira de se lidar com o trabalho. A tecnologia vai forçar um aumento no nível de exigência e na capacidade de adaptabilidade. “Todos terão que refinar seu poder de aprendizagem. Porque as mudanças em uma carreira não serão mais pontuais e, sim, constantes. O diferencial será justamente o que nos faz humanos, como criatividade e cognição”.

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