Eu sempre fui uma criança hiperativa. O resultado disso é ser um adulto um pouco agitado. Ser acelerado, pensar muito rápido e estar sempre concatenando idéias muito rápido, raciocinando e ligando pontos “fantasiosos”. Mas, saiba que hiperatividade é doença. Dessas que se curam, ou melhor, são tratadas, apenas com “tarja-preta”. Eu venho de uma família de pessoas hiperativas. Hiperativas e sistemáticas. Mas, infelizmente, minha mãe e meus tios não tiveram a mesma sorte do que eu. Ao começarem a mostrar os primeiros sintomas da hiperatividade (eu, por exemplo, sou muito ansioso, não consigo ficar por muito tempo fazendo a mesma coisa, estou sempre inquieto, balançando pernas e braços, ou cantando e assoviando independente do lugar onde esteja), meus avós levaram minha mãe e meus tios ao médico e, infelizmente, eles foram curados e a hiperatividade diminuiu bastante.

Não sei se por conseqüência dessa hiperatividade – que tem como um grande ponto forte em mim, além de estar sempre acelerado, querer saber o porquê de tudo – eu sempre quero saber a causa e a história de todas as coisas. Assim, acabo fazendo questionamentos em cima de questionamentos. Dessa forma, conseguimos chegar à raiz das coisas: o problema, ou a verdadeira solução.

Negócios é hiperatividade. Muito mais do que informações, idéias, planejamento e estratégia, vivemos em um mundo hiperativo. Tudo é de forma acelerada e as idéias mais brilhantes surgem através de questionamentos idiotas. A grande novidade do empreendedorismo e da inovação não é descobrir uma nova teoria que coloque a relatividade por terra (até por que, isso é muito difícil de acontecer), mas sim, fazer primeiro, sair na frente e questionar todas as teorias. Não existe teoria. Não existe regra sem exceção e, geralmente as ovelhas negras são as que mais chamam a atenção em um rebanho.

O que isso quer dizer?

Steve Jobs disse que inovar não é criar nada do zero, mas sim ligar pontos. Foi assim com o iPod, e ele é o artigo mais vendido de todos os tempos. Jobs não inventou nada que já não existia. Ele simplesmente uniu um HD de bolso de um fabricante, com uma bateria de outro fabricante – inclusive fabricante de tocadores de MP3 -, tratou de agrupar tudo isso para que não ultrapassasse o tamanho de um maço de cigarro, um LCD aqui, uma embalagem acolá e, eis que nasce o iPod. Nenhum mistério, nenhuma invenção. APENAS JUNTAR IDÉIAS. O mesmo aconteceu com o Mac. A Xerox foi a inventora do mouse de computador, mas quem ficou famosa em popularizá-lo foi Jobs. Por quê? Porque ele uniu as coisas… um micro mais fácil de utilizar, com uma interface mais amigável, com comandos mais simples, sem aquela grande quantidade de comandos e teclas de atalho, todos eles substituídos por um pequeno rato, ao lado do teclado, que faz com que a interação entre usuário e máquina aumente ainda mais.

Eu tenho uma teoria muito forte na minha cabeça. A resposta para uma outra pergunta é outra pergunta. Sócrates, um dos maiores filósofos de nossa história praticava essa forma de ensinamento através de uma metodologia chamada maiêutica. O que isso significa? Que, quando qualquer pessoa, discípulo, colega, amigo de trabalho e até mesmo a concorrência fazia uma pergunta para ele, ele rebatia com uma resposta-pergunta. Ou seja, uma outra pergunta sobre a pergunta da pessoa. E, a partir do momento em que a pessoa respondesse a primeira pergunta, ele continuaria perguntando até que ela mesma chegasse à resposta sobre a dúvida que tinha.

É assim que surgem as maiores inovações. Devemos sempre responder perguntas com perguntas para que consigamos refletir sobre a situação e aprofundar nas possibilidades, como um hiperativo curioso, que é como muitos me chamam. Deve ser por esse motivo, por essa curiosidade louca em saber o porquê das coisas, que eu sempre tenho mais perguntas a fazer. Assim, antes de aceitar a primeira idéia, antes de seguir a primeira teoria, antes de usar a primeira regra, sempre procuro saber a razão verdadeira das coisas. Assim, as idéias amadurecem, os planos evoluem e a estratégia fica diferente. Opa, é por aí que queremos chegar. Ou não seria a inovação uma grande diferença competitiva? Sim. Diferencial competitivo, pensar diferente, agir diferente, fazer perguntas e responder com perguntas, eis a fórmula para a inovação. Afinal, não vence quem aprimora a idéia, mas quem LANÇA. E, só consegue ser diferente, quem faz perguntas diferentes e não se contenta com uma resposta igual.

Por quê?

Porque o mundo da inovação e do empreendedorismo não é plano. É infinito.

Acorda! Tá na hora de mudar o mundo…

  • Regina Angelica

    Isso mesmo Enrico ,conhece aquele ditado : Quem procura acha” …quem não procura estaciona. Parabéns, mais uma vez meu querido hiperativo .