Empreender é entrar em uma guerra. Ainda mais se você não tiver dinheiro, e estiver começando com pouco e com muita coragem, mas sem caixa, como a grande maioria acaba sendo forçada a fazer. Afinal, no Brasil, além de um financiamento bancário ser caro, não é acessível para todos. Então, nos resta adaptar idéias revolucionárias, a ações que cabem no bolso. Ou que cabem pelo menos em parte. Se esse for o seu caso, prepare-se para uma guerra nuclear. E o pior, você é o país que será atacado.

Porém, essa guerra é lutada em várias batalhas: fluxo de caixa, capital inicial, aliados, empreendedorismo, pessoas, criatividade e inovação, execução e liquidez. Eu parto do pressuposto que todo ser humano é empreendedor. Afinal, mesmo que não sejam idéias mirabolantes, todos nós somos bons em algo, temos uma predisposição e somos melhores do que alguém em alguma área, o que nos dá destaque e mostra o como nós precisamos apenas de incentivo e conhecimento complementar para chocar o nosso ovo. E o mais importante: todos temos medo e o que diferencia a coragem no mundo dos negócios não é a ausência de medo, mas sim a paixão pela emoção e pelo risco.

Assim começa a história de todo empreendedor. Com uma idéia. O que vem depois é justamente o que define quantas batalhas você vai ganhar. Esqueça a guerra, ela não tem fim. Foque nas batalhas. Se tem sócios dispostos a dar o sangue pelo negócio, você possui aliados. Se possui investidores, mais aliados ainda. Se tem apoio da família, dedicação e confiança dentro de casa, você tem pessoas ao seu lado, e isso reforça a sua força pessoal, a sua disposição e a garra para ir até o fim. Se você tem dinheiro, tem fluxo de caixa, possui um capital alto, melhor ainda. Só não se deixe deslumbrar pelo dinheiro e controle-o com responsabilidade, com os pés no chão.

Mas… se você tiver apenas criatividade, inovação, plano de execução e força de vontade, o caminho ainda não está perdido. Afinal, o que faz a diferença em business não é dinheiro, são PESSOAS. Pessoas e idéias é o que define se uma empresa vai vencer ou não, portanto, não fuja da guerra.

Infelizmente, eu lamento pela quantidade de pessoas que têm idéias mirabolantes, e que com um pouco de incentivo e apoio na execução, poderiam fazer o Brasil ser uma mágica de crescimento, um país inovador e sobretudo empreendedor sério e rentável. Eu tiro essa conclusão por que aqui não fugimos de responsabilidade, não temos preguiça, não fazemos questão de dormir oito, ou mais horas, por dia, não temos desejos de BMWs e Mercedez para toda a família.

O brasileiro é um povo de fibra, de força, de garra e de muita criatividade. O que falta é, em primeiro lugar, uma educação voltada para a aplicação de toda essa criatividade em formas de inovação. Afinal, nem todo mundo vê o mundo do mesmo jeito e, nem tudo faz o mesmo sentido para todos. Então, por que utilizam o mesmo padrão para todos. O que é feito para aprimorar o ponto forte de nossas crianças na escola? Nada, afinal a educação é uma regra geral, sem exceção, que se aplica a todos. Experimentem dar a cada criança a educação que precisam INDIVIDUALMENTE e, quando tornarem-se jovens, misture isso tudo a um toque de empreendedorismo, criatividade e inovação. Com certeza, o resultado será emocionante.

O segundo ponto que falta para o empreendedor no Brasil é incentivo, oportunidade, ajuda, confiança. Se o BNDES, ou os grandes privados estivessem focados realmente em DESENVOLVIMENTO, emprestariam dinheiro a quem realmente merece e tem liquidez. E não somente para quem paga a comissão dos consultores, dos doleiros e dos políticos. A CSN foi comprada do governo com o dinheiro do próprio governo (BNDES), por um valor abaixo do que tinha em estoque. É a mesma coisa que eu vender a minha casa e dar o dinheiro pro comprador comprá-la de mim. É hilário, engraçado, e MUITO TRISTE. Mas é assim que as coisas funcionam atualmente.

Por isso que eu digo. Não fuja da batalha, não fuja da guerra, e tenha mais amor à emoção do que medo. Afinal, Davi venceu Golias. Por que não nós também?

Um conselho? Proteja-se do frio e escolha muito bem as suas ARMAS. Parta pra guerra de cabeça erguida e vença batalha por batalha, até o fim. Até por que, essa será uma guerra interminável… e lembre-se do conselho de Sun Tzu: conheça a ti mesmo, conheça os inimigos e conheça o campo de batalha. Essa é a única fórmula para a vitória.

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  • BOA ENRICO!

    ABRAÇÃO MEU AMIGO

  • Oi Enrico,

    Ótimo texto!
    Gostei bastante também dos textos que você escreveu no Administrando.biz.
    Meus parabéns e estamos juntos nessa batalha a favor do empreendedorismo!

    Abraços,
    Millor

  • Fábio – Iluminessa

    É exatamente isto!! Valeu Enrico!!

  • Pessoal,

    Quando dizemos empreendedorismo, muitas pessoas acreditam que estamos falando em se empreender, talvez por que a palavra lembre a empresário, empreendimento, etc. Porém, existe o empreendedor corporativo, que muitas vezes, mais do que os donos, levantam as empresas.

    Em ambos os casos, eu acredito que um empreendedor precisa ter paixão pelo conhecimento, pelas novidades, paixão pelo trabalho, pela idéia, força de vontade, coragem, disposição pra fazer e se preciso, assumir o erro e a falha, tesão e coerência.

    Acho que esse é o caminho e tenho certeza de quem empreendedores são empreendedores em qualquer lugar, na sua empresa, ou na dos outros. O que diferencia é que os empreendedores, mesmo não sendo donos da empresa, a tomam como se fossem, e assim fazem muito lutando contra a mediocridade, que é o maior inimigo de nós, loucos de pedra.

    Eu acredito em um Brasil melhor com empreendedorismo + inovação.

    Att..
    Enrico Cardoso.
    http://www.thinkoutside.com.br