O arrependimento é um dos melhores exemplos de como o descuido com a nossa mente permite que a infelicidade entre em nossa vida. Naturalmente, isto pode acontecer de diversas maneiras, mas, antes de as explorarmos, é preciso ir fundo nas resistências que criamos e examinar as razões por trás dos atos. Aparentemente, os adultos têm um medo profundo da felicidade.

Ter consciência desse terror é meio caminho andado para a conquista da mente íntegra e livre. Observe algumas razões mais conscientes e acessíveis e você perceberá que, em geral, optamos pela complexidade no lugar da simplicidade, pela rigidez em vez da flexibilidade e, claro, pela infelicidade à felicidade, numa prova de como nossa mente joga contra ela mesma.

Vejam como nossa mente nos sabota e prepare-se para virar essa mesa!

1. Não Merecemos A Felicidade

Não Merecemos A Felicidade

Não é de admirar que acreditemos que não temos o direito de ser felizes. As imagens que brotam da televisão, as narrativas de jornais e revistas, as conversas no escritório, enfim, as cenas que povoam a memória e enchem os sonhos estão constantemente nos lembrando de que a infelicidade e a adversidade são componentes normais da vida.

Enxergamos as circunstâncias como veículo da felicidade, não da paz e da tranquilidade de nossas mentes. No fundo, quaisquer circunstâncias que nos favorecem são consideradas injustas.

2. O Presente é Perigoso

O Presente é Perigoso

Como o futuro guarda más notícias para todos, o presente deveria ser o nosso maior interesse. Concordamos que todos temos o “direito inalienável” de buscar a felicidade, mas não damos a ninguém o direito de realmente encontrá-la. É como se não confiássemos nas pessoas alegres. Suspeitamos que atrás de todo bom humor há um motivo sinistro. É aceitável que as pessoas falem sobre um passado em que foram felizes ou que expressem a esperança de que um dia serão felizes, não que estejam ou sejam felizes no presente.

A boa experiência no passado não justifica o otimismo no presente.

Chamamos de “querida” ou “gracinha” as pessoas que têm alegria de viver, e as desconsideramos nas questões intelectuais realmente importantes. Reagimos da mesma forma em relação a livros e filmes com finais felizes, assim como para filosofias que despertam a autoestima. A razão é óbvia: a boa experiência no passado não justifica o otimismo no presente.

O que o presente pode oferecer para alguém, de qualquer forma?

Até mesmo um prêmio não teria nenhum significado se no dia seguinte levássemos a mesma vidinha de sempre. A expectativa do que poderá resultar é que dará o verdadeiro significado ao prêmio. A felicidade em geral é sentida como antecipação, ao passo que o sofrimento nos leva ao presente. Normalmente, nossas mentes são tão barulhentas que poucos escutam o silêncio da serenidade e da paz, única possibilidade de viver o presente e nada mais.

Normalmente, nossas mentes são tão barulhentas que poucos escutam o silêncio da serenidade e da paz, única possibilidade de viver o presente e nada mais.

3. As Mesmas Circunstâncias Que Garantem A Sua Felicidade Aumentam O Peso Que Você Carrega

O Peso Que Você Carrega

Durante a vida, muitas pessoas recebem algumas recompensas, mas acabam percebendo que esses prêmios inesperados acabam complicando suas vidas. Quanto mais elevado o prêmio em dinheiro, por exemplo, maior o caos, a limitação e a infelicidade que ele normalmente causa. Seria de imaginar que alguém que enriquece de repente diria: “Finalmente, meus problemas de dinheiro acabaram. Não preciso me preocupar mais”.

Mas o que acontece na verdade? A pessoa tende a ser menos generosa e se irrita mais do que a maioria das pessoas com os aborrecimentos do dia a dia, tipo atrasos, problemas mecânicos, mau atendimento, manchas e cheiros. Em geral, são também mais paranoicas e desconfiadas em relação às motivações dos outros e, como se sentem superiores, acabam convivendo com pouquíssimos amigos e atividades.

A beleza física é outro exemplo de algo muito desejado e que acaba se voltando contra quem a deseja. Nem quando a pessoa sai de uma cirurgia plástica, de um longo regime ou de meses num spa, e está inegavelmente linda, vai falar coisas do tipo: “Agora estou muito bem e não preciso mais me preocupar com a minha aparência”.

Que tipo de pessoa entra num restaurante olhando em volta para verificar se está sendo observada, a linda ou a normal? Quem é que atrai o relacionamento mais superficial, se preocupa obsessivamente com a roupa que veste, luta incessantemente com o processo do envelhecimento e tende a julgar os outros pela aparência? A pessoa linda, é claro.

Outra fantasia universal é exibir objetos do consumo que todos gostariam de ter. Quem tem posses, em geral, enche sua casa e sua vida de coisas que não deseja e não pode usar. Um carro luxuoso, por exemplo, tem manutenção mais cara, maior probabilidade de ser roubado e exige cuidados na hora de estacionar… ou seja, é um carro que provoca inveja e faz com que os comerciantes cobrem mais por qualquer coisa.

4. Um Parceiro Super Bonito Não É Recomendável

Um Parceiro Super Bonito

Embora dure mais tempo e provoque menos problemas, o relacionamento amoroso com uma pessoa de alma pura e simples não é tão procurado quanto o relacionamento com alguém complicado. As expectativas se reduzem imediatamente quando um namorado em potencial é descrito como “legal”.

As pessoas ambiciosas não hesitam em trocar quem as compreende e ama por um “companheiro-troféu”, ou seja, alguém que chame a atenção pela beleza ou por sua posição na sociedade. Não esqueça que o efeito colateral de ter um “companheiro-troféu” é a eterna vigilância.

Ao contrário da ideia que muita gente imagina, o sexo com um parceiro deslumbrante não aumenta o prazer físico. Na verdade, aumenta a tensão e o nervosismo. Casais normais, que se sentem confortáveis um com o outro, tendem a ter uma vida sexual muito mais satisfatória.

Além disso, conforme sua aparência e importância social começam a diminuir, é preciso redobrar os esforços para continuar valendo alguma coisa, para não ser abandonado mais cedo do que imagina por alguma beldade ou algum símbolo sexual.

5. Meio-Termo na Felicidade Não Funciona

Meio-Termo na Felicidade Não Funciona

A felicidade não é muito confiável, nem mesmo dentro dos alardeados “pequenos prazeres da vida”. Quanto mais tentadora a comida, quanto mais erótico o prazer, quanto mais longas as férias, quanto mais fascinante a traição, quanto mais intensa a paixão… maior a queda.

Segundo uma pesquisa, os ganhadores de loterias se tornam pessoas obesas e 85% dos homens que morreram durante uma relação sexual não estavam ao lado de suas mulheres.

Moral da história: a maioria dos bons momentos tem sempre uma contrapartida tão dramática que nós acabamos por começar a evitá-los.

Revelar uma confidência interessante, criticar o parceiro pelas costas, xingar um motorista, comer tudo o que nos dá vontade, dormir o tempo que desejamos, flertar inocentemente, tudo isso pode ser engraçado e prazeroso por um tempo, mas o arrependimento ou o medo que essas opções produzem, assim como o caos que eventualmente possam promover, acabam por torná-las questionáveis como opção de vida.

6. Felicidade é “Fugir à Responsabilidade”

Felicidade e Fugir a Responsabilidade

Acreditamos que a felicidade não é um estado mental sério ou importante e por isto a mantemos sob suspeita. Pressupomos que ser feliz é deixar de lado o que sentimos. Isso leva as pessoas a se sentirem culpadas depois de um momento de felicidade. Acreditamos que aproveitar a vida é uma forma nada sutil de evitar a responsabilidade.

Como há muita coisa no mundo a ser feita e muitos erros a corrigir, arranjar tempo para ser feliz parece que é o mesmo que virarmos as costas ao mundo. Afinal, um quarto da população mundial está passando fome, um terço das nações está em guerra, como, aliás, sempre esteve, ou seja, a série de problemas graves que o mundo enfrenta é tão avassaladora quanto infindável.

Podemos destacar mais alguns: a proliferação das armas nucleares, invasão de privacidade, crise econômica, a gravidez das adolescentes, os vírus e bactérias mutantes, a corrupção na política, o terrorismo, as drogas, a falta de moradias, a tortura, as discriminações por sexo, raça e idade, tudo isso e nem começamos a falar da devastação do planeta.

Raramente questionamos as atitudes que deveríamos adotar no lugar da felicidade. Poucos perguntam o que coisas como conforto e segurança, mudança para melhor, aturdimento, irritação ou coisa parecida, traz de bom para alguém.

Ao admitir a densidade do campo minado que atravessamos todos os dias, em vez de felizes, deveríamos nos sentir… o quê? ultrajados? tristes? chocados? aterrorizados? cínicos? desesperados…? Raramente questionamos as atitudes que deveríamos adotar no lugar da felicidade.

Poucos perguntam o que coisas como conforto e segurança, mudança para melhor, aturdimento, irritação ou coisa parecida, traz de bom para alguém. Há quem diga que estas são as grandes emoções que nos levam para a frente na vida.

Se é assim, a pergunta deveria ser: o que mais nos motiva a sermos verdadeiramente úteis, uma atitude pacífica ou irritada? Há controvérsias, mas sem dúvida eu preferiria estar nas mãos delicadas de Jesus, Madre Teresa ou Gandhi. Eles conseguiram fazer muita coisa sem nenhuma raiva.

7. Abrir Mão da Infelicidade é Deixar de Respeitar a Si Mesmo

Deixar de Respeitar a Si Mesmo

A perturbação interior que chamamos de infelicidade é uma emoção, ou, mais precisamente, um conjunto de emoções. É uma dor interior (sensação de angústia, medo, depressão, tristeza, etc.) tão desagradável quanto a mudança que poderia nos proporcionar alívio. Questionar a raiva, a paixão, a tristeza e muitas outras emoções é questionar o que temos de mais sagrado. Num certo sentido, abrir mão da infelicidade não é apenas desonesto… soa quase como uma traição a quem realmente somos. Hoje, quando dizemos a alguém: “Preciso ser fiel a mim mesmo”, o significado é: “Preciso trair você, segundo as minhas emoções”.

Num certo sentido, abrir mão da infelicidade não é apenas desonesto… soa quase como uma traição a quem realmente somos.

As emoções assumiram o lugar outrora ocupado pela alma, pelo espírito ou pela consciência. Por isso, o dilema ao perceber que nossas emoções são o verdadeiro ser. Como podemos ser nós mesmos, se o nosso ser muda a cada minuto, como invariavelmente acontece com as emoções? Como boa parte das emoções duram apenas dois a três minutos, não dá para defender uma velha emoção que já não existe e deixar de lado uma série de novas emoções que passamos a sentir.

As emoções assumiram o lugar outrora ocupado pela alma, pelo espírito ou pela consciência. Click To Tweet

Existe um lugar dentro de nós onde entramos em contato com o eterno e o belo, um lugar em que realmente sentimos nosso ser interior em paz. Este ser não precisa ser periodicamente arejado, desfragmentado ou mesmo definido. Com tranquilidade e generosidade, ele é visto claramente, e tudo em relação a ele é conhecido e familiar – porque este ser é íntegro.

8. Pessoas Felizes São Suspeitas

Pessoas Felizes São Suspeitas

A felicidade ocupa um papel incrivelmente pequeno na vida da maioria dos adultos. Mais uma vez, a felicidade é algo suspeito. Talvez esta cena você já tenho visto em algum shopping ou local… Você vê uma garotinha de uns três anos andando em companhia dos pais. Ela estava no auge da felicidade e cantava a plenos pulmões. A mãe, no entanto, se inclinava e dizia entre dentes:

– Você não está se comportando direito!

A mãe estava certa. A felicidade pura e simples não é nada adequada em muitas circunstâncias. Na verdade, pessoas felizes demais muitas vezes são consideradas meio esquisitas, até perigosas. É previsto que nos sintamos muito satisfeitos quando nosso time ganha, e podemos até nos sentir realizados quando “devolvemos” uma desfeita que alguém nos fez, mas se você sair cantando a plenos pulmões por um shopping center sem nenhuma razão aparente, é bem provável que seja interpelado pela segurança.

Pessoas felizes demais muitas vezes são consideradas meio esquisitas, até perigosas. Click To Tweet

Agora Faça Um Pequeno Exercício Prático

Este exercício é inteiramente opcional, foi criado para reforçar e aprofundar o que já discutimos. Tente identificar corretamente os pensamentos que geram momentos de perturbação ou conflito.

Nos próximos dois dias, escolha pelo menos dois momentos em que sentir que está tendo, ou acaba de ter, uma sensação de conflito, perturbação ou irritação. Imediatamente, congele o conteúdo de sua mente e, cuidadosamente, examine os pensamentos envolvidos. Leve sempre um caderninho ou um pequeno gravador para anotar pelo menos o tema de cada pensamento.

À noite, acrescente os detalhes que não teve tempo de anotar durante o dia. Para desvendar os pensamentos vagos ou parcialmente escondidos, faça a si mesma as seguintes perguntas:

  1. Que pessoa ou situação parece estar causando a emoção ou está no centro dela?
  2. O que esta pessoa ou situação simboliza? O que me faz lembrar?

 

Pensando no que sabota você

Digamos, por exemplo, que você notou que boa parte “das angústias” que sente giram em torno de sons desagradáveis, alguém que mastiga ruidosamente à mesa, um telefone ou uma campainha que toca “na hora errada”, cães latindo ou crianças gritando. Talvez você pense que esses ruídos são incômodos e ponto final.

Insistindo, talvez lembre que na infância sempre lhe diziam para se acalmar, não interromper as pessoas e falar baixo. Essa lembrança pode explicitar que, para você, esses ruídos simbolizam a falta de reconhecimento e de consideração das pessoas ou, quem sabe, o desejo delas de controlar você.

Outro exemplo poderia ser que você sente angústia e perturbação quando alguém perde ou quebra suas coisas. Ao tentar descobrir o que isso simboliza, você relembra a falta de consideração de um antigo colega, que passava adiante fofocas das quais tomava conhecimento em conversas, endereçava erradamente as cartas e os e-mails ou perdia as chaves…

Refletindo mais fundo, talvez você lembre que as coisas que juntava em seu quarto quando criança muitas vezes eram jogadas no lixo e seus brinquedos preferidos eram dados a outras crianças. Ou seja: quando alguém perde ou danifica alguma coisa que lhe pertence, significa que você não está sendo visto com clareza ou compreendido em profundidade.

  • O que eu imagino que torna estas circunstâncias importantes o bastante para me perturbarem?

Usando o primeiro exemplo, talvez você escreva algo assim: “Ter meu tempo, minha concentração e minhas atividades respeitadas é tão importante que qualquer som me perturba”.

Para o segundo exemplo, você poderia escrever: “Minhas coisas são importantes, algumas contêm muitas lembranças, outras são parte de meus relacionamentos. Assim, quando alguém perde ou danifica alguma delas, sinto que me atacam”.

  • Se imaginar esta situação se deteriorando ou o comportamento dessa pessoa piorando, o que vejo acontecer comigo?

Esta pergunta implica imaginar que seja lá o que tenha ocorrido, se repita com maior frequência (cada vez mais coisas são perdidas ou danificadas, aumentam os episódios de barulho). Enquanto imagina isto, o que acontece emocional, física e mentalmente com você? Está se vendo desaparecer?

Faça as etapas A e B durante, no mínimo, dois dias. No final do segundo dia, leia todos os seus pensamentos e anotações sobre essas perturbações. Leia essas listas com a maior imparcialidade possível, ou seja, sem julgar a si ou aos outros.

Tente descobrir se há algum padrão em seus pensamentos, alguma ideia principal ou apenas pensamentos associados. Há um medo generalizado, “real” ou importante de perder a autoridade? Talvez muitos de seus pensamentos estejam ligados a dinheiro… Se é assim, qual a sua atitude em relação ao dinheiro? Responda com a maior honestidade possível.

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Vagner Molina
Vagner Molina (vagnermolina.com.br), treina líderes executivos para a produção de um crescimento acelerado e de mudanças organizacionais. É um defensor apaixonado do Desenvolvimento de Líderes e do Coaching no local de trabalho. Master Coach Certificado pela ICI (International Association of Coaching – Institute), Certificado pela HR Tools International para aplicação das ferramentas de Assessment com geração e análise real de resultados. Produziu o espetáculo Teatral “O Monge e o Executivo” (omongeeoexecutivo.com.br), adaptação original do livro best seller de James C. Hunter com exclusividade e direitos autorais para o Brasil, assistida por mais de 65.000 pessoas. Sua atuação como Master Coach, é destinada a empresas e profissionais que desejam aperfeiçoar seus líderes, suas equipes, estratégias, ajudando a conquistar mais qualidade e resultados nas relações, estimulando a iniciativa, a responsabilidade, a lealdade e o caráter entre as pessoas à sua volta. É escritor e idealizador do Programa Virando o Jogo (programavirandoojogo.com.br).

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