Dias atrás, Susan Rice, embaixadora dos EUA na ONU, fez um fantástico discurso na formatura da Stanford University. Stanford, para quem não sabe, é uma das melhores faculdades dos EUA ao lado de Harvard, MIT, Kellogg etc.

Por conta disso, a turma que aparece se formando nesse vídeo provavelmente terá os melhores empregos nas melhores empresas com os melhores salários do mundo. Muito provavelmente os formandos em Stanford não terão que se preocupar com conforto ou qualidade de vida. Muito provavelmente todos terão uma excelente qualidade vida nos EUA, no melhor estilo american way of life. Longe de terrorismo, violência, poluição etc.

Rice procura lembrar os estudantes de Stanford que o maior desafio da sua geração para os próximos anos é acabar com a pobreza do mundo. Rice se refere a pobreza do mundo como um assunto de segurança nacional americana e não meramente um ato moral e benevolente.

“Enquanto houver pobreza no mundo, os EUA estarão ameaçados. Nós temos que trabalhar para que todos tenham excelentes condições de vida levando em conta a necessidade de reverter o aquecimento global.”

“Eu acredito que esse desafio não será um grande problema para vocês. 25 anos atrás, em 1986, quando eu me formei em Stanford, não existia o celular, a IBM havia lançado o primeiro computador pessoal, Mandela cumpria o seu 22° ano preso, o Apartheid era o regime vigente na África do Sul sem qualquer sinal de mudanças, o muro de Berlim era uma construção muito sólida, a União Soviética tinha milhares de ogivas nucleares prontas para disparar. Em 25 anos, tudo mudou.”

“Por favor, não se acomodem. Saiam pelo mundo. Aprendam outros idiomas, conhecam outras culturas. Sejam Agentes de Mudanças. Os próximos 25 anos podem ser incríveis, se vocês quiserem!.”

Rice fala sobre invadir o mundo com o American Way of Life, afinal, ela é embaixadora da coisa toda. Entretanto, eu não acredito que o mundo quer o que os EUA querem.

Ontem a noite, assistindo o bate-bola da ESPN lá pela meia-noite, o apresentador abriu o programa falando, “Cara, eu quero abrir o programa falando sobre a maneira que estamos vivendo. Todos os dias correndo para lá e para cá para ganhar dinheiro para pagar as contas, todos vivendo apressados, correndo pela cidade com seus carros blindados etc, para quê ? Hoje eu assisti ao jogo do Brasil em plena terça-feira a tarde em um bar aqui no Sumaré lotado de gente bebendo, comemorando, dando risadas, enfim, se divertindo. Sabe, o Brasil é isso mesmo. Diversão, risadas, sem stress de ficar trabalhando correndo, se matando. Para quê viver essa vida de maluco ? Eu espero que o Brasil volte a ser um país divertido onde as pessoas não levam as coisas tão a sério, e possamos tomar uma cerveja no bar sem stress.”

O apresentador terminou o seu discurso dizendo que o capitalismo é uma droga, que o jogador coreano que chorou na abertura do jogo do Brasil era sul-coreano, mas optou por morar na Córea do Norte por ideologia, por achar que o regime norte-coreano é o máximo.

O que esse apresentador brazuca não sabe é que nos EUA 80% das pessoas entram no trabalho as nove da manha e saem as cinco da tarde. Com exceção de Nova Iorque e dos cabeças viciados em mover o mundo, o resto do país faz outras coisas além do trabalho.

A maluquice que temos em São Paulo não é culpa do capitalismo, mas da incompetência que temos em fazer as coisas funcionarem.

A diferença é que os EUA tem 50 milhões de cabeças criativas levando o país para frente, e o Brasil tem 50 milhões de cabeças batendo cabeças.

Eu soube há pouco que o Morumbi foi vetado para a Copa de 2014. O Morumbi, o maior estádio da maior e mais rica cidade do país não pode sediar jogo algum da copa que está por vir. Animal!

Enfim, o desafio dos próximos anos sem dúvida alguma é acabar com a pobreza – a incrível diferença de qualidade de vida entre quem tem muito e que não tem nada ou apenas o mínimo; MAS, eu acredito que o bicho vai pegar mesmo é na diferença cultural e ideológica que aumenta todos os dias.

Não existe mais uma única igreja, ou um único canal de televisão, ou um único formador de opinião formando a cabeça de todos. A cada ano que passa o número de alternativas de vida para as pessoas aumenta. Essas alternativas vão levar as pessoas a um conflito sem precedentes.

Mesmo nos EUA já há movimentos como o Tea Party querendo quebrar tudo na sociedade.

Eu acredito que em 25 anos algum maluco vai aparecer no planeta com a proposta de criação de um país completamente novo onde pessoas do mundo inteiro podem migrar para lá para viver uma vida completamente diferente da vida que vivemos hoje. E milhares de pessoas vão migrar. Algo completamente novo, baseado em uma nova cartilha de sociedade, não sei, mas vai rolar. Parece doidera, mas vai acontecer.

Quem é John Galt?

  • guilherme

    rapaz neste eu estarei com 36 anos