Sabe quando você ouve alguém e de imediato percebe que é uma daquelas raras pessoas que se transforma em herói, não por seus atos, mas pelo que de fato é essa pessoa?

Pois bem meu herói moderno chama-se Dov Seidman e ele é admirado no meio empresarial dos Estados Unidos e da Europa. Como CEO da LRN (sua empresa foi fundada há 20 anos), já contribuiu para que 25 milhões de profissionais compreendessem e se inspirassem com programas voltados para a ética e a conformidade normativa (também conhecido em Inglês por compliance).

Dov Seidman

A palestra realizada em Viena, havia se encerrado. O grande tema tinha sido: “Estão os administradores à mercê de forças externas?”. Dov Seidman havia argumentado sobre a importância de comportamento e a nobre aspiração que profissionais devem exibir. Ele havia explicado como são cruciais os aspectos de confiança, ética e espírito de corpo saudável das equipes empresarias. Resumindo em uma só palavra a ênfase estava em Conformidade Normativa.

Estão os administradores à mercê de forças externas? Click To Tweet

Sabe aquela aula que a diretoria e o Conselho de Administração da Petrobras faltou? E que hoje faz uma falta danada? Exatamente: esse cara havia acabado de falar sobre a grande importância que os valores abraçados pelas equipes, o exemplo e os símbolos da liderança, e a necessidade de se enfatizar o comportamento como consequência de princípios e cultura saudável são chaves para o sucesso de uma empresa.

A última questão colocada pela plateia levantava uma preocupação pois afirmava-se que os RHs em geral seriam obrigados a usar um sistema inovador de seleção de candidatos, baseado em big data e analítica – substituindo os processos humanos. Ou seja o computador – uma máquina – seria o responsável pelas escolhas e acertos de se casar habilidades e talentos com as funções em demanda.

Com uma calma toda própria e não menos contundente Dov Seidman dá uma das mais extraordinárias respostas para entendermos definitivamente o que está em jogo no RH e o que deve ser a mais importante das preocupações de todo CEO.

Primeiro ele dá uma paulada no recrutamento tradicional. Ele diz: “Todo esse processo é regressivo – pois lemos o currículo do candidato e vemos o que a pessoa fez 8 anos, 2 anos atrás, a velha mania de contratar para emprego baseado em funções.”

E daí ele vai ao ponto. Veja como ele responde:

“Mas se vamos dar às pessoas missões baseadas em valores, é necessário compreender aonde que as pessoas querem ir com suas vidas, entender o que é importante para elas, e temos que realizar casamentos entre o que aspiram – as suas paixões – com o que somos. De outra forma não pertencemos um ao outro.”

E continua:

“Mas creio que além de se recrutar por conhecimentos especializados, talentos e habilidades – coisas que importam – devemos buscar qualidades baseadas em caráter – como a integridade. Sei que não se pode remunerar o funcionário por sua integridade, mas podemos pagar pelos comportamentos exibidos por alguém com integridade. Creio que é possível identificar as qualidades profundas de caráter, traduzi-las em comportamentos que são observáveis, e assim remunerar e incentivar as pessoas certas. Não podemos ficar à mercê de quem se diz bonzinho, mas temos que ver se efetivamente apresenta princípios como nós abraçamos. Esses mesmos princípios vão lhe dar a firmeza na hora de se ir em frente, mesmo que lhe pressionem para desviar para a direita ou esquerda.”

E daí finaliza:

“Prevejo uma renascença onde os recrutamentos serão baseados em qualidades profundas encerrando a era do jeito raso que temos praticado.”

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here