Dentro de muitas lembranças que armazenei andando pelas grandes empresas deste país, uma que teve forte impacto foi no final dos anos 90 quando fui recebido numa empresa e levado a conhecer um imenso robô industrial, que depois de fazer inúmeros movimentos para demonstrar toda sua versatilidade escreveu meu nome num pequeno pedaço de chapa de aço.

Foi deslumbrante…

A empresa tinha implantado diversos robôs como aquele ao longo de sua produção e ostentava com orgulho essa nova infra-estrutura e tinha o foco na velocidade de produção e qualidade da peça produzida.

Ao contrário, eu pensava na capacidade dos seres humanos que tinham desenvolvido aquela máquina e o quanto ela poderia agregar para todos aqueles que precisassem se relacionar com ela de forma direta ou indireta.

Obviamente cada maquina substituiu diversos operadores e afastou a possibilidade do erro pelo fator humano, mas trouxe uma nova condição de relacionamento entre os colaboradores e as máquinas, havia uma “torcida” para que algo ocorresse com estes equipamentos e que a produção fosse comprometida.

A pressão passou dos operadores para os programadores que receberam junto com o novo status a responsabilidade de impedir falhas e estar permanentemente à disposição da empresa.

O interessante é que os responsáveis pela produção foram valorizados pelos resultados obtidos por esses equipamentos e foram perdendo a capacidade de gestão das pessoas, pois “aquilo” não tinha ouvidos e não falava… logo não adiantava discutir ou apontar falhas, nem mesmo elogiar.

Interessante agora imaginar o que cabe na nossa vida dessa onda robótica:

  1. Será que as pessoas que estão empregadas cuidando dessas máquinas ou trabalhando com elas correm o risco de se sentirem “inferiores”, por não terem capacidade física e mental de concorrer com a tecnologia?
  2. Será que todo esse avanço vai chegar até nossas casas e ao lado de toda comodidade que proporciona vai nos tornar indolentes?
  3. Será que poderemos administrar melhor nosso tempo contando com a ajuda desses equipamentos?
  4. Será que evoluiremos como seres humanos freqüentando esse universo robótico?

Não sei responder a essas questões, mas elas me levam a recordar uma passagem relatada por um jovem engenheiro que trabalha nessa área e que durante os momentos que estava com sua namorada comentava sobre a capacidade e condição fantástica dos equipamentos que estavam sendo desenvolvidos pela equipe na qual ele trabalhava e tudo o que elas significariam no futuro. Após ouvir silenciosamente o relato por diversas vezes a namorada disse: “Convide o robô para jantar… ele vai se divertir muito ouvindo essa sua conversa”.

Acredito que todos aqueles que estão envolvidos com essa tecnologia avaliam o impacto da presença dessas máquinas na nossa existência e que não perdem de vista a presença do ser humano no universo robótico, pois se assim não for dentro em breve estaremos todos jantando com um robô.

Vale lembrar a sabedoria da imperatriz Quanny Akemi que afirmava: “Meus generais me apresentaram as novas maquinas de guerra que vão nos tornar invencíveis diante de nossos inimigos, mas em nenhum momento meus oficiais apresentaram os benefícios que esses equipamentos trarão aos meus súditos. E assim sendo decidi que eles e suas famílias seriam responsáveis por essas maquinas até o fim delas ou das armas.”

Use sua inteligência empresarial, mãos à obra e bons negócios.

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