Quando se trata de influenciar o comportamento dos funcionários, não há nenhuma necessidade de se usar magia negra, daquelas de encolher cabeças, muito pelo contrário.

Coisas simples, como por exemplo, convencer seus funcionários a participar de um programa de aposentadoria privada, pode ser realizado com um simples “hackeamento de cérebro”.

Como Hackear o Cérebro?

Faça isso de forma que todos os funcionários já estejam cadastrados automaticamente e que caso algum funcionário não deseje aderir ao programa, tenha a opção de se descadastrar depois. Muitas empresas estão utilizando este modelo ao invés de oferecer algo em que as pessoas tem que tomar a iniciativa de participar.

Este é um exemplo de um método de influenciar o comportamento das pessoas, que aproveita o “poder da ociosidade ou da preguiça”.

Afinal, Como Influenciar Pessoas?

Como Influenciar Pessoas

No final das contas, influenciar as pessoas a tomar uma determinada ação é simples. “Se queremos influenciar o comportamento de outras pessoas, devemos facilitar ‘comportamentos desejáveis’ e dificultar ‘comportamentos indesejáveis'”, disse Art Markman, professor de psicologia e marketing da Universidade do Texas e autor de Smart Thinking, na revista Harvard Business Review.

Markman diz que esta escola de pensamento é baseada em Richard Thaler e no livro de Cass Sunstein, Nudge. “O sistema cognitivo humano tem o objetivo de obter o melhor resultado possível para o mínimo custo energético possível”, explica ele.

Quando se trata da tomada de decisões, a velha escola de pensamento era de que a informação estimula as decisões. Embora isso seja verdade, Markman explica que “a energia é a moeda-chave que o sistema cognitivo busca preservar”.

Se você quiser que alguém tome uma determinada decisão, você deve tornar o caminho para isso o… Click To Tweet

Markman também explica que o cérebro humano representa apenas 3% do peso do corpo de um indivíduo, mas ele usa até um quarto do fornecimento diário de energia do mesmo. Este é o lugar onde reside a chave para influenciar muitas decisões: os seres humanos precisam de energia para pensar e manter o funcionamento do cérebro. O tempo que uma pessoa gasta pensando sobre uma decisão é proporcional à quantidade de energia que o cérebro usa para tomar essa mesma decisão.

Então, se você quiser que alguém tome uma determinada decisão, você deve tornar o caminho para isso o mais fácil possível. Em resumo, as pessoas são preguiçosas.

“As pessoas querem minimizar a quantidade de tempo e energia gastos no cérebro pensando em uma escolha e também querem minimizar a quantidade de tempo e energia corporal que gastam em direção à realização das ações após a escolha ter sido feita”, diz Markman. Quando as pessoas estão concluindo suas atividades no dia-a-dia, elas estão usando a menor quantidade de pensamento possível.

“As pessoas querem minimizar a quantidade de tempo e energia gastos no cérebro pensando em uma escolha e também querem minimizar a quantidade de tempo e energia corporal que gastam em direção à realização das ações após a escolha ter sido feita”

Art Markman

O comércio varejista e os supermercados usam esse tipo de marketing psicológico sobre seus clientes. Compras por impulso, como chicletes, doces e revistas estão geralmente bem ao lado da caixa registadora. “Você não está comprando espontaneamente esses itens porque você tem mais informações sobre esses produtos supérfluos, mas com base em uma combinação do que o ambiente torna mais fácil de fazer, hábitos que as pessoas aprendem de ações passadas, e os resultados de deliberações anteriores sobre uma decisão”, escreve ele.

O mesmo método utilizado para a adesão à Previdência Privada pode ser utilizado para outras iniciativas. Se você quer que seus funcionários comecem a trabalhar às 7 da manhã, destranque as portas do escritório às 7 da manhã em ponto. Para que saiam às 18:00, programe os computadores para dar um aviso de 15 minutos às 17:45 e programe o sistema de ar condicionado para desligar às 18:00.

“Esta orientação para o ambiente pode mudar ou reforçar todos os tipos de comportamentos”, diz Markman. Para conter o número de fumantes nos Estados Unidos, por exemplo, uma campanha de saúde pública proibiu fumar em escritórios, restaurantes, aviões e trens. Hoje, apenas 20% dos norte-americanos fumam, em comparação com 50% em 1960.