Não sei quais foram os motivos – com certeza o lado político motivou – mas ultimamente tenho refletido muito no Princípio de Peter. Para quem não sabe, trata-se de um conceito elaborado por Lawrence Peter na década de 1960, que diz: todo o funcionário é promovido dentro de sua organização até alcançar o seu nível de incompetência.

Já tenho escrito que Dilma é uma gerente clássica – fora de moda inclusive para os padrões modernos. Em algum momento de sua trajetória político-partidária de cargos no Executivo, certamente ela não poderia (nem deveria) ter sido promovida. Mister Peter teria dito: “ná, ná, ni, ná, não!”.

É quase certo que Dilma tenha alcançado seu nível de incompetência muito antes de ser escolhida como candidata a sucessão de Lula. O New York Times não me deixa mentir (além é claro do FT e tantos outros que à distância nos observam). A Imprensa da casa, nem se fala!

A Dilma sentada na poltrona de presidente, age em suas atitudes e competências pessoais como uma gerente . E não estou me esquecendo de Itamar Franco que parece ter feito escola para ser vigente naquela cadeira. Tudo que me refiro à ela – a ele serve por igual medida.

Todo o funcionário é promovido dentro de sua organização até alcançar o seu nível de incompetência. Click To Tweet

Sem pensamento estratégico, apenas atuando com olhos no passado, só consegue reagir às urgências do presente. Se cerca de ‘yes man‘ (e ‘yes woman‘), não confia nos conselhos plurais e contraditórios. Só consegue se ver útil e realizada ao agir e influir no micro. Como não tem mais quem lhe dê ordens e por não compreender a dimensão de suas responsabilidades com o geral (o sistêmico – amplo e mais complexo), com o futuro e com as sutilezas de ações chaves abrangentes e determinantes, abandona o macro à própria sorte.

Se falta-lhe habilidade política e gingado para o jogo de um presidencialismo de coalizão – no mínimo deveria se valer de operadores à altura do desafio. Por carência de humildade ou forte distorção de auto imagem, está longe de possuir os traços essenciais de liderança – visão clara de futuro, capacidade de motivar e tirar o melhor de sua equipe, aglutinar as forças internas, promover a sinergia, inspirar confiança e dedicação, rapidez para admitir e corrigir falhas. E mesmo deixando a lista incompleta, vale citar o quanto a inteligência emocional lhe faz falta. Creio ter coberto pelo menos as características essenciais.

Os Empreendedores e a Administração Estratégica

Perceba caro leitor, que este artigo está longe de ser político. É de Administração pura. E uma das lições para você como decisor e que tem vontade de promover os da casa – cuidado com o princípio de Peter. Saiba que valorizar seus leais é nobre. Mas não atue com uma meritocracia grega, quando você na verdade premia sem considerar o todo. Ambos perdem: você e seu funcionário ‘prata da casa’. Quantas vezes transformamos o ótimo vendedor em um péssimo gerente. Ou um excelente operador num supervisor tacanho e improdutivo? Perde-se dos dois lados.

Quantas vezes transformamos o ótimo vendedor em um péssimo gerente. Ou um excelente operador num supervisor improdutivo? Click To Tweet

E olhe para a dimensão correta de sua cadeira, pois é onde de fato reside o desafio radical. Aprenda com o cenário político e seus erros. Você empreendedor, deve abandonar de imediato os bonés gerenciais. Se sua empresa tem uma equipe básica, delegue de imediato as tarefas rotineiras, crie uma estrutura com diretrizes que permita liberdade em decisões e responsabilidades, e descentralize níveis deliberativos em prol da agilidade e do fluir objetivo. Aceite pequenos riscos como parte do jogo. E como contrapartida amplie o significado pelo bom trabalho e as realizações em alta. Sejam nas pequenas vitórias ou nos aprendizados (as pequenas derrotas).

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E por fim, de foco nas questões macro e estratégicas, procurando ser o mais transparente possível no que tange aos desafios de seu empreendimento. Mantenha-se aberto e sensível às ideias e à criatividade inovadora. Imite o que hoje centenas de empresas fazem como primeira atividade a abrir o expediente: chamam o pessoal chave e se reúnem por 5 minutos de pé, discutindo os tópicos de destaque ou novidades das diferentes áreas, tudo ilustrado numa parede coberta de post its. Em tinta azul, sobre dezenas de papeletas coloridas está a empresa desnudada para que todos a compreendam e a transformem.

Creio que rapidamente iremos esquecer Mister Peter – até porque o sucesso hoje não mais reside em estruturas hierarquizadas com várias camadas de autoridade onde o comando e controle impera. O presente – e o futuro – está sim nas estruturas abertas e compartilhadas, transparentes e autênticas, mais humanas, vibrantes e radicalmente modernas.

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