Em artigo publicado na Folha, Marcia Dessen nos apresenta um quadro chamado de Pecados Capitais do Empreendedor, com uma lista de erros ou causas de morte dos negócios. São duas colunas – uma como autocrítica de empresários e outra com o parecer de consultores.

Então antes de começar a empreender, aproveite esta releitura que fiz, resumindo os 18 itens em cinco tipos de pecados. Deixei de incluir um dos erros mais comuns, que nem poderia ser chamado pecado, dado à natureza infantil desse erro (bem típico de empreendedores amadores) que é o ‘saque de dinheiro para despesas pessoais’.

O Que Dizem Os Empresários O Que Dizem Os Consultores
Falta de capital de giro Desconhecimento do mercado
Carga tributária elevada Falta de capital de giro
Recessão econômica no país Concorrência ágil, com preços melhores
Problemas financeiros Desconhecimento técnico
Concorrência muito forte Saque de dinheiro para despesas pessoais
Escassez de clientes Baixo investimento em comunicação
Falta de crédito Descontrole contábil e administrativo
Mão de obra sem qualificação Baixa qualificação de mão de obra
Ponto inadequado Alto nível de endividamento
Fonte: Revista "Pequenas Empresa & Grandes Negócios".

A numeração refere-se à categoria combinada, descrita aqui.

Os cinco tipos combinados são:

1. O Pecado Original do Empreendedor

Antes de dar o primeiro passo prático como empreendedor deve-se evitar um problema de origem: a total-falta-de-noção-do-negócio-e-da-vida. Sinto muito falar assim. Agora convenhamos.

O sujeito quer empreender, então não pode jamais reclamar (seja hoje, amanhã ou na eternidade) de:

a) Ponto inadequado;
b) Desconhecimento de mercado; e
c) Concorrência ágil e com preços melhores.

Se você não consegue superar essa situação é que começou mal. Então tem que recuar e começar de novo. Não tem jeito. Refaça tudo do zero. E mesmo que esse recomeço custe, é melhor colocar o trem no trilho do que ficar patinando para o resto dos dias… até morrer!

2. Pecado Estrutural

Esses três pecadilhos listados pelos próprios empresários mostram uma total desconexão com a realidade brasileira. Sim, a) a nossa carga tributária é elevada (e mais – o cerco se fecha com apetite na ânsia arrecadadora do governo sobre cidadão e empresas). Sim, b) estamos enfrentando uma recessão brava – e a economia acontece em ciclos. Alguns anos temos alta e outros temos baixa. E sim, deixamos de amarrar cachorro com linguiça há muito tempo pois: c) a concorrência é forte. Muito forte. Nada como a realidade e umas noites mal dormidas para acertarmos o ponteiro.

3. Pecado Mercadológico

Aqui temos dois pontos filhotes do Pecado Original. O que mais se ensina nos bancos das Faculdades e na própria escola da vida, é que você tem que fazer algo que o cliente valorize – seja seu produto, serviço ou ambos. Então para: a) Escassez de cliente e b) Baixo investimento em comunicação, assuma que você tem que vender.

Quem não vende morre! Suba no poste, acorde duas horas mais cedo, ande mais dez milhas todo dia, peça ajuda para os vizinhos e parentes, divulgue na internet, no Face e no Google. Se vire nos 30 empreendedor. Promova, proclame, propagandeie – enfim faça a sua mercadoria circular!

4. Pecado Empresarial

Nesta categoria incluímos:

a) Falta de capital de giro (duas vezes);
b) Problemas Financeiros;
c) Falta de Crédito;
d) Desconhecimento técnico;
e) Descontrole contábil e administrativo;
f) Alto nível de endividamento.

Esses erros tem a ver com a postura que o empreendedor deve trazer para o negócio. É impossível construir um negócio sem um investimento de capital adequado. E precisamos incluir o financiamento do estoque, a compra das mercadorias e o prazo em que nossos clientes nos pagam (mesmo que seja via Cartão de Crédito).

Como estamos falando em tipos de pecado – recorro a uma parábola dos evangelhos, sobre a história do homem que vai construir uma torre. Jesus desafia seus ouvintes: “Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?” E seu vaticínio é bem direto: “Pois se lançar o alicerce e não for capaz de terminá-la, todos os que a virem, rirão dele.” O planejar – refletindo e calculando, é muito mais do que atividade mundana.

5. O Pecado Social do Empreendedor

Pelas minha contas, dez em dez empresários reclamam de sua mão de obra. Falam muito e fazem pouco. Hoje já é possível superar a questão da ‘falta de qualificação’ ou da ‘baixa qualificação’. E a custo zero!

Temos milhões (sem exagero) de vídeos no Youtube sobre todo e qualquer assunto. Temos milhões de pdfs que podem ser baixados gratuitamente. Basta ter disciplina, e fazer a turma – no horário do trabalho – se instruir do jeito e da forma que você – empresário – definir.

Sim, o próprio empresário também tem que vestir o boné de instrutor e passar a explicar, tin tin por tin tin, todos os detalhes pertinentes à operação da máquina empresarial e do atendimento ao cliente.

Se você acha o custo da educação alto, tente o da ignorância. Click To Tweet

E escrever instruções, e fazer a turma ler, e sentar com eles e pedir para que expliquem, e fomentar a cooperação, e fornecer meios para que se lembrem e que se instruam mutuamente. E mais uma coisa: acompanhá-los, e dar o exemplo, e mostrar como se faz, e simular o ‘sombra’, e ter paciência – muita paciência – seja no faz de conta ou no real, para que o cliente se sinta seguro. Este artigo que escrevi recentemente vai ajudá-lo a compreender o porquê deste acompanhamento.

A máxima que temos ouvido com frequência e que igualmente – na mesma frequência temos esquecido é: “Se você acha o custo da educação alto, tente o da ignorância.”

Pois bem, de maneira resumida – esse é o lado negativo: o que evitar. Numa próxima, vamos enfatizar o lado positivo!

E você, confesse já – qual tem sido seu pecado?

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