Quando o assunto costuma ser a transformação digital na área jurídica quase sempre nos deparamos com um spoiler alert sobre o futuro dos advogados. Mas este artigo foca como a tecnologia legal pode ser adotada pelos profissionais da área jurídica, sob o ponto de vista do empreendedorismo.

Um Cenário Desafiador para Os Profissionais de Direito

O Brasil ultrapassou a incrível marca de um milhão de profissionais da advocacia registrados, em 2016, segundo dados do Cadastro Nacional de Advogados (CNA), do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O setor também conta com inúmeros profissionais paralegais. A cada ano, milhares de profissionais saem das faculdades e se deparam com um mercado saturado. Os departamentos das grandes empresas estão cada vez mais enxutos e trabalham de forma independente. Montar seu próprio escritório não é uma tarefa das mais simples.

O cenário se torna ainda mais desafiador quando as funções tradicionais dos advogados já são realizadas por softwares e robôs, reduzindo em larga escala a contratação destes profissionais. Tudo isso, graças à tecnologia legal que tem crescido de forma exponencial nos últimos anos e transformado o setor jurídico. Mas o mercado de tecnologia legal está longe de estar saturado, e ainda há muito espaço para os profissionais que souberem abraçar esta tecnologia e torná-la a sua aliada.

A Tecnologia Legal e o Movimento Disruptivo

O termo tecnologia legal sempre fez referência à tecnologia ou software legais que ajudavam a gerenciar os escritórios de advocacia em tarefas como armazenamento de documentos, cobrança, contabilidade, entre ou práticas. Mas atualmente, o termo expandiu-se e inclui empresas que oferecem soluções tecnológicas voltadas para resolver serviços legais sem necessitar da contração de um advogado.

Desde 2009, empresários que não são da área de Direito começaram a mostrar interesse na tecnologia legal, injetando simplicidade, conveniência e, de quebra, menores custos nos serviços. Este movimento disruptivo na esfera jurídica é ocasionado principalmente pelas startups que investem em tecnologias como Blockchain e Inteligência Artificial (AI).

Neste contexto, muita coisa está mudando, desde a forma como as pessoas se conectam aos advogados, assim como as empresas recrutam talentos e até mesmo a forma como estes profissionais colaboram e prestam serviços jurídicos. Em síntese, o mercado atual é excelente para os profissionais inovadores, pois os cidadãos buscam serviços jurídicos acessíveis e a tecnologia ainda não foi adotada de forma ampla por escritórios e departamentos jurídicos.

Confira as quatro etapas para se tornar um empresário de tecnologia legal:

1. Entenda a Dinâmica do Mercado e Direcione seu Foco

A tecnologia legal e o movimento disruptivo

Com uma sofisticada análise de documentos e tecnologias de pesquisa legal, as tarefas que costumavam levar muito tempo agora podem ser feitas mais rapidamente. As startups jurídicas eliminaram muito do trabalho operacional que os advogados costumavam fazer. Algumas plataformas online, como a Juridoc, com sede em São Paulo, além de ter transformado o setor de contratos como modelos inteligentes e personalizados, oferecem quase todos os serviços legais que uma empresa precisa.

Funções que antes eram realizadas por um advogado contratado tornaram se mais eficientes e dinâmicas com a automação. Hoje é possível elaborar um contrato social, selar um acordo de sócios, obter assessoria para registro de marca empresarial no INPI e abrir uma empresa, de forma online.

Mas, assim como a maioria das startups que atuam com automação legal, arbitragem e conciliação extrajudicial online, é preciso investir em conselheiros jurídicos com experiência e também para assuntos mais complexos conectar advogados aos seus clientes. Se a inovação tecnológica está eliminando certos tipos de serviços profissionais, com certeza amplia a valorização de outros, como os gerentes de contratos e de suporte de litígios.

Outras áreas que provavelmente terão um crescimento expressivo são as relacionadas com o direito comercial e corporativo. Se o profissional estiver atento e se interessar por inovação e empreendedorismo, perceberá que as próprias startups são um nicho de atuação. Essas empresas lidam com tecnologia, ideias inovadoras e investidores, o que requer apoio jurídico constante.

2. Crie seu Diferencial e Busque Atuar de Forma Independente

Muitos advogados buscam se inteirar das novas possibilidades do mercado, realizando trabalhos de forma paralela ao tradicional. Há uma grande oferta para profissionais que desejam trabalhar como freelance no mercado de tecnologia legal. O trabalho como freelance pode expandir a sua rede de contatos e mantê-lo atualizado em diferentes áreas do Direito. Esta é também uma ótima maneira para avaliar o mercado atual e adquirir uma nova abordagem do setor.

Ao buscar um trabalho freelance em uma Legaltech, por exemplo, tem se uma visão mais abrangente de como a indústria de tecnologia opera. É uma oportunidade para aprender sobre novas ferramentas e como aplicá-las na prática. Ao conectar-se com uma tecnologia específica, abre se uma porta para desenvolver a sua marca pessoal, ou seja, o seu diferencial. Esta experiência poderá apontar de que forma você se encaixa na nova economia de mercado.

Ao oferecer seus serviços legais, pense como um empreendedor e planeje a sua atuação no mercado, não se esquecendo de utilizar canais de marketing para os seus serviços. A atuação em blogs, redes sociais, seminários e eventos podem ser alguns canais possíveis, visto que a tecnologia permite aos advogados novas formas de fornecer informações legais e assessoria jurídica aos clientes.

3. Reveja a Questão dos Honorários

É bastante comum que à medida que uma tecnologia se torna mais eficaz e atraente, mais empreendedores se voltam para este nicho. Com o setor jurídico, tem surgido uma escala significativa de soluções e ferramentas impensáveis até poucos anos atrás e a preços acessíveis. À medida que essas soluções continuam a surgir, os escritórios de advocacia são forçados a mudar para se manterem competitivos.

As startups continuarão a diminuir o custo das questões legais padrões e quem vai ditar as regras no campo jurídico será o empreendedorismo. Muitos advogados no mundo todo tem focado em estratégias que os mantenha competitivos e que preservem a lucratividade. Ao invés da cobrança de honorários, utilizando-se do tradicional modelo de ‘serviços por hora’, pode se buscar uma maior flexibilidade, ajustando a oferta ao mercado e avaliando a possibilidade de oferecer serviços a taxas fixas.

4. Não Perca Tempo com Procedimentos Manuais

Empresários legais inteligentes não têm tempo para processos manuais onde a tecnologia existe para automatizar. Os empreendedores legais bem-sucedidos de amanhã serão aprendizes de tecnologia ao longo da vida. Por exemplo, as equipes jurídicas internas podem automatizar a criação de contratos, assim como implantar softwares para gerenciamento dos escritórios de advocacia.

Neste processo, é fundamental entender quais os serviços jurídicos podem ser automatizados e quais são indispensáveis à atuação de advogado. Em síntese, é preciso descobrir onde advogados oferecem valor e onde este valor pode ser proporcionado por um sistema automatizado, sem perdas qualitativas. E, claro, descobrir também onde podem atuar em conjunto.

Um Novo Caminho a Percorrer

Os empreendedores são solucionadores de problemas e, naturalmente, descobrem oportunidades reais em cenários nem sempre benéficos. Advogados e escritórios de advocacia podem exercitar o pensamento empreendedor, assimilando as novas dimensões tecnológicas da profissão. À medida que o software substitui os colaboradores operacionais, a figura do advogado será mais estratégica e empreendedora e tem um novo e interessante caminho a percorrer.

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