Esta foi a edição das olimpíadas que mais acompanhei, por motivos óbvios e também pelo fato de estar em um momento profissional que me permitiu dedicar algumas horas para assistir as competições e modalidades que gosto muito, em horários “alternativos”.

Foi interessante observar o comportamento das pessoas em relação ao evento aqui no Brasil, muito semelhante, talvez menos enfurecido, ao que vimos na Copa do Mundo 2014. Certo descrédito, uma mistura de sentimentos relacionados à política e situação econômica do país, entendimento de que não somos competitivos na maioria das modalidades, e nas que somos o fator emocional poderia afetar negativamente o desempenho dos nossos atletas.

Tudo isso é bem real e nos afetou de alguma forma, mas por outro lado vimos um país na sua essência e pelo que mais é reconhecido em todo o mundo: alegre e muito feliz! Pois é, somos um povo feliz, independente do momento que estamos passando, mas isso também não é novidade. O novo aqui, foi o orgulho em receber as pessoas e ver que as coisas funcionaram, pelo menos foi o percebido nos inúmeros canais de veiculação do evento.

Orgulho da organização deste mega evento, mostrado já na abertura com aquele show incrível, cheio de Brasil e brasileiros. Orgulho a cada disputa, a cada medalha, a cada superação, e também a cada derrota, pelo reconhecimento do esforço. Para fechar, a cerimônia de encerramento estava linda e mais uma vez vimos o orgulho de ter feito o melhor que podíamos em cada olhar dos brasileiros e, principalmente, dos estrangeiros que participaram da alegria e também do nosso samba, se rendendo à nossa cultura.

Mas quero chamar a atenção para dois temas em especial, pois acredito que podemos tirar um aprendizado importante a respeito da nossa cultura e como isso afeta o nosso dia-a-dia e nossos negócios.

1. Precisamos Valorizar a Liderança

Precisamos Valorizar a Liderança
Imagem: Shutterstock

Vimos atletas como o Diego Hypólito e sua história de superação, também da judoca Rafaela Silva mostrando pra gente que enquanto olharmos para os obstáculos não sairemos do lugar.

E como a liderança entra nisso tudo?

Vamos começar pela definição de ser um líder, que é a pessoa que engaja as demais, que acredita e faz acreditar, que motiva e desafia na busca de melhores resultados, que cai junto com a sua equipe e a ajuda levantar.

Esses dois atletas brasileiros mostraram serem líderes das próprias carreiras, buscaram na adversidade a força para vencerem, e antes, para se colocarem à prova mais uma vez.

2. Desempenho Individual em Detrimento ao Coletivo

Desempenho Individual
Imagem: Shutterstock

Vamos pegar o futebol e o vôlei masculino como exemplos. São modalidades coletivas e fatores individuais se sobrepõem ao coletivo.

No futebol, vimos claramente a imagem do jogador Neymar sobressaindo-se aos demais jogadores, treinador e equipe técnica. Devemos acreditar mesmo que o talento de um único jogador foi suficiente para a conquista da medalha de ouro? Um esporte praticado por 11 atletas, 10 no campo e o goleiro (este sim sozinho) é decidido por APENAS um deles?

O talento do jogador Neymar não está em análise aqui, mas o empenho e comprometimento sim, pois mais do que isso o poder de influência que ele tem sobre a seleção foi mais importante que os outros que estavam ali realmente jogando e trabalhando pela seleção brasileira de futebol. O grito do jogador “Eu estou aqui!” mostra isso claramente.

Partindo para o vôlei, assistimos uma equipe dedicada, entrosada e com o mesmo objetivo: ganhar aquela partida e conquistar a medalha de ouro. Ao mesmo tempo, vimos também um nome se sobressair aos gritos: “Wallace” e para quem assistiu a transmissão pela ESPN teve ainda a melhor de todas as transmissões (minha opinião) feita pelo Rômulo Mendonça e suas hilárias colocações entre elas “Wallace, o macho alpha”.

Claro que um bom profissional, seja ele atleta ou não, se destacará dos demais pelo seu desempenho acima da média da equipe, se isso acontecer. O ponto que quero levantar aqui é o fato desse desempenho ser o suficiente para deixar todos os demais à sombra, parecendo que o profissional em destaque foi sozinho o único responsável pelo bom resultado alcançado. Como se não houvesse um líder ou outros profissionais desempenhando suas atividades para que este que se destacou tivesse um ambiente mais favorável para suas habilidades poderem vir à tona, para falar o mínimo.

Citando agora a cultura, quero dizer, dessa necessidade que temos em eleger heróis, atribuindo a eles todas as nossas expectativas e muitas vezes também as nossas responsabilidades. Se houver um herói para superação, admirá-lo faz de mim um ser melhor. Em tese, pode até ser verdade, mas na prática sua vida continuará a mesma se não tomar uma atitude alinhada ao discurso. As vitórias do seu herói não são as suas, aquela medalha de ouro não está na sua prateleira, está na dele. Os dedos doloridos, ombro deslocado e joelhos operados não são os seus, são os deles.

Então, porque buscamos as vitórias dos outros ao invés de traçarmos as nossas?

Por que não valorizamos o espírito de equipe e a liderança?

Por que buscamos por heróis?

A explicação está na nossa formação como povo, nossas referências não são nossas, trazemos experiências gringas sem nem ao menos pensar nas diferenças de clima, comportamento e atitudes, na esperança que faça algum sentido.

Não faz!

Comparamo-nos a nações milenares e nem somos condescendentes para ver que estamos em estágios diferentes de desenvolvimento e uma comparação simples se torna ridícula por não considerar aspectos sócio-econômicos, tecnologia, comportamento, aspirações e culturas.

Aprendizado

O aprendizado que podemos tirar disso tudo é que somos únicos nessa diversidade imensa que temos aqui, que temos um “modus operandi” que precisa ser respeitado, até para ser mudado. E mais ainda, que precisamos valorizar cada momento para que haja evolução, ao invés de misturar tudo em um único pote e não conseguir tirar dele nada de novo.

Imagem Principal: Ververidis Vasilis / Shutterstock.com

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