Essa historinha de geração Y não se sustenta mais! É, senhoras e senhores, algo não cheira bem no reino dos RH’s. Os especialistas em carimbar os jovens com letras e ditar regras de procedimento conseguiram dar um belo nó. E as coisas não se encaixam e não tem emenda.

Senão vejamos. Eis aqui uma seqüência de perguntas que não querem calar:

  1. Qual a razão de se estabelecer Y para um grupo geracional brasileiro? Esta é a terminologia mais adequada?
  2. Como grupo – qual o período de nascimento dessa tribo?
  3. Qual a razão de se definir os outros grupos como Geração X e Babyboomers? De que maneira isso se aplica ao Brasil? A que períodos eles se referem?
  4. É possível traduzir uma doutrina norte-americana, focada em grupos sociais que explicam a sociedade americana, diretamente para o contexto brasileiro?

Imagino que você também tenha suas próprias indagações. Confesso que poderia continuar – mas não quero ser chato. É óbvio que algo cheira mal.

Agora a mais crítica de todas as perguntas é:

Por que não desenvolvemos um estudo genuinamente brasileiro a respeito das gerações?

Pois bem – convido o prezado leitor a criar uma discussão sobre as Gerações Brasileiras – iniciando aqui com seus comentários e pitacos – e por que não – seus questionamentos.

Temos que desatar esse nó. E a tarefa não é fácil. Me faz lembrar a técnica de amarrar elefantes no circo. Para amansar elefantes e eliminar qualquer esforço de fuga, desde pequeno o elefante é fortemente amarrado na pata – uma pata basta. Ele vai se condicionar à inutilidade de qualquer tentativa de se livrar de suas amarras. Daí para a frente o pessoal de circo simplesmente amarra a corda na pata do elefante e prende-a simbolicamente no chão. Se o bicho quisesse – facilmente se libertaria. Uma força mínima já seria o suficiente para se livrar. Mas condicionado que está ao mundo de uma pata amarrada, ele fica preso a esse paradigma.

Essa falácia de geração X, Y e Z é uma corda frágil sem base alguma. E ainda bem que não somos elefantes!

  • André Victória da Silva

    Até que enfim descubro que não estou sozinho.
    Parabéns pelo artigo.
    Sempre achei essas definições uma grande idiotice.
    Fico pasmo ao ver tanta produção conceitual em cima disso.
    O pior é que no mundo de hoje, onde somos expostos a essa enorme quantidade de informações, se não tivermos senso crítico, acabamos vítimas dessas idéias com propósitos manipuladores.

  • Olá André,

    Você tem razão. Somos submetidos a uma quantidade absurda de informações, todos os dias e fica realmente difícil em determinados momentos, separar o jôio do trigo.

    Assim como o Volney, acredito que absorvemos demais os modismos externos. Temos que aprender a criar nossas próprias definições e conceitos. Afinal, embora os jovens possuam padrões de comportamento comuns, cada país tem suas próprias características sociais.

    Obrigado por participar da discussão.

    Abraços,