O modelo de gestão adotado pelas Startups dominou o ambiente empreendedor brasileiro. Metas, produtividade, rentabilidade, escalabilidade são termos que nunca estivarem tanto em pauta. E a cultura do fazer mais com menos vem permeando setores que, até então, pareciam distantes dessa realidade.

No mundo do Direito, essa mudança está cada vez mais visível. A visão romântica da advocacia vai dando espaço à visão empresarial, fazendo com que os advogados empreendedores se preocupem em adotar não só ferramentas de gestão elaboradas mas também práticas inovadoras para o setor.

A utilização de sistemas online é um exemplo disso. Softwares que ajudam a gerir processos e pessoas têm mudado a rotina de advogados com escritórios de pequeno porte. Angelo Giacomini Ribas tem um escritório de advocacia, em Balneário Camburiú/SC. Além de mais três sócios, ele conta com cinco colaboradores. Praticamente, apenas dois dos sócios frequentam o escritório, devidamente montado para receber aqueles clientes que ainda sentem a necessidade do espaço físico para enxergar o negócio como uma empresa que existe e opera, de fato.

O restante da equipe trabalha a distância, o que permite atender clientes em outros estados, como Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais. “Os advogados precisam estar online e não no escritório”, avalia Giacomini, que garante que já superou a barreira da necessidade de ter um escritório com a pompa e a circunstância que a advocacia tradicional exige. Quando elaborou o plano de negócio do seu empreendimento, ele já vislumbrou o modelo de trabalho remoto.

No início, quando abriu as portas em 2011, o Google Drive acolhia o acervo de documentos e materiais de trabalho. Um ano depois, recorreu ao Astrea, um software de gestão específico para escritórios de pequeno e médio porte e advogados autônomos. “O sistema nos tirou da planilha de Excel e nos colocou num processo organizado. Hoje, ele é a base do nosso trabalho”, constata Giacomini. Atualmente, seu escritório tem cerca de 200 processos ativos, todos gerenciados pelo software, que permite, inclusive, que as tarefas sejam distribuídas entre os sócios e colaboradores.

Cassio Crepaldi, dono de um escritório de advocacia em Olímpia, interior paulista, é outro empreendedor que faz uma gestão à distância do seu negócio com o uso do sistema. Aliás, a implementação da ferramenta permitiu que ele se dedicasse a outros afazeres. Crepaldi é também dono de uma imobiliária na cidade, professor em três faculdades e ainda coordenador de uma entidade ligada ao Direito. “Esse acúmulo de funções só foi possível por conta da automatização dos processos gerenciais”, conta.

Segundo ele, adotar o sistema trouxe alguns ganhos ao negócio, como mais facilidade para estabelecer metas, padronização de documentos gerados pelo escritório, aumento da produtividade e mais transparência na relação com os clientes, que passaram a receber por e-mail informações sobre a andamento dos processos judiciais. “Como o sistema me informa de qualquer andamento que a justiça dá a um processo, ganho tempo para gerenciar minhas atividades referentes a ele, sem precisar esperar a publicação desses andamentos no Diário Oficial da União”, explica.

Além de agilidade, Crepaldi afirma ter obtido ganho de 60% na eficiência operacional do escritório. Em um ano, o número de processos judiciais que gerencia passou de 500 para 800, com os mesmos cinco advogados que trabalham com ele. O objetivo é garantir a manutenção desse crescimento. Dentro de um ano, a meta é dobrar o número de clientes e expandir a atuação do escritório para outras cidades.

Crepaldi e Giacomini são exemplos de profissionais com elevado conhecimento técnico e que, ao buscarem se aprimorar na área de gestão, quebram paradigmas dentro do mercado jurídico. O professor do GVLaw e autor do livro Gestão eficiente de escritórios de advocacia, Mario Esequiel, lembra que é comum ouvir de advogados que o negócio jurídico é diferente e que ferramentas de gestão não funcionam neste ambiente. E a resposta dele a esse comentário é sempre a mesma: “ferramentas de gestão são aplicáveis em todos os negócios. Basta entender as peculiaridades para administrar sem ferir os princípios do segmento”.

Para os advogados mais conservadores, Esequiel faz questão de reforçar que a única certeza que se tem é que daqui a cinco anos a forma de exercer a gestão e de prestar serviços jurídicos vai mudar. “Só resta aos empreendedores acompanhar as mudanças”, ressalta. É com esse olhar para o novo que Esequiel vai palestrar no 1º Aurum Summit, evento que idealiza uma transformação tecnológica e de gestão dos negócios da advocacia, fazendo com que estejam cada vez mais próximos de empresas revolucionárias, como muitas startups.

O 1º Aurum Summit, que acontece em 17 de novembro, em São Paulo, reunirá, em um único lugar e em um único dia, palestrantes que vão tratar de temas, como organização e produtividade, gerenciamento de metas, presença digital, direito digital, marketing de conteúdo. Tudo para os advogados possam refletir sobre inovação nas práticas gerenciais.

Para maiores informações sobre o Aurum Summit, leia este artigo.

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